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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Mil vezes eu (Uma crônica em 100 palavras)


Não sei se estou certa quanto a minha jornada, mas acho mesmo que eu vivo, e não apenas existo.
Aprendi nos livros como viver jogando o jogo do contente e sei que é preciso ter um coração bem grande para não se deixar abater; assim tal como a menina Pollyanna me ensinou, eu estou tentando. E tentando. Tentando mesmo, juro. Espero que tentar valha de alguma coisa no fim.

E no mais, ainda estou aqui. Isso deve bastar. E acho que ainda sonho. Grande e alto. Com o mundo e todo o resto. Muito, e sempre. E isso é tudo.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Remendo (Uma crônica em 100 palavras)





Ela que sempre gostou de ter o controle de seus planos e nunca conseguiu viver um dia por vez, agora não sabe mais como agir. Todas suas verdades desmoronaram, fazendo-a temer o universo, porque isso não estava programado no roteiro do seu destino.

Ela desejou tanto encontrar seu propósito que acabou arruinando-se por inteira.

Dizem-na tão jovem; mas esperar é sinônimo de perder tempo. E ela é toda cheia de grandes urgências, que fazem do mundo não mais suficiente para o seu demente coração.

E talvez agora só lhe reste gritar o que de bom sua mente não consegue mais enxergar.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Resto de sentimento (Uma crônica em 100 palavras)


Depois do fim parecia tão mais seguro trancar a alma e acabar de vez com todas as sobras de rancor espalhadas pela casa. Achei que conseguiria, mas devo ter coração de acumulador: detesto jogar fora o que um dia foi importante pra mim.

E é por isso que nossos porta-retratos estão juntando poeira; aquele nosso vinho caro pra comemorar sua promoção continua lacrado; suas camisetas ainda estão todas no armário e seu cheiro continua no lençol e no meu coração.

 Não consigo te deixar partir, tem muito de você aqui. Afinal minha casa é sua, e eu; eu mais ainda.